Aviso aos navegantes, essa é a segunda parte do Especial Steampunk, se você não viu e não sabe o que é Steampunk confira antes de ler esse post. (Parte I: Steampunk!?)
E estamos de volta… Antes tarde do que mais tarde…
Como prometido hoje vou falar um pouco de algumas publicações Steampunk!
Todas são recomendadas, então você escolha a vontade, ou não, e leia todas!
Enfim, comecemos do princípio…
É difícil encontrar alguém que não tenha tido uma infância e não conheça Julio Verne, ou melhor, é difícil encontrar algum nerd que não conheça Julio Verne desde a infância. Pois agora que você cresceu, se não conhece, te apresento Jules Verne vulgo Julio Verne.
O responsável por obras de aventura magníficas como Viagem ao Centro da Terra, Volta ao mundo em 80 dias, 20.000 mil léguas submarinas, Da terra à Lua, entre muitas outras; é junto com nomes como H. G. Wells (A máquina do Tempo, A ilha do Dr. Moreau, A Guerra dos Mundos, O Homem Invisível…) Mark Twain e Mary Shelley, impulsionou um gênero literário (apesar dele não se resumir a literatura) que surge na segunda metade do séc. XX.
Esses autores no séc. XIX pensavam num futuro tecnológico super avançado que seguia os princípios que conheciam de ciência e mecânica. Constituindo assim os primeiros elementos que nas mãos de autores como James Blaylock, Tim Powers e K. W. Jeter (responsável pelo termo cunhado em 1987) se tornou o Steampunk, um gênero rico em detalhes e com características tão particulares e marcantes que consagrou esses elementos como próprios do gênero. O que possibilitou ampliação do termo que hoje não se limita ‘a história que se passa na Inglaterra Vitoriana’, mas se estende a todas aquelas que apresentam tecnologias a vapor e outras características ligadas a ela e podem se passar no mais remotos lugares desse mundo e as vezes até de outros.
Mas enfim…
Bom vou começar do começo, pelo menos o começo pra mim.
A liga Extraordinária de Alan Moore, Kevin O’Neil, Benedict Dimagmaliw.
Essa foi a obra que me apresentou a esse mundo sem sequer saber que ele existia. A mistura de elementos e referências pra mim sempre foi um prato cheio.
E por isso de todos aqui listados, nada tem maior clima introdutório do que essa HQ.
O conceito inicial era criar uma liga da Justiça vitoriana, mas que acabou reunindo famosos personagens de ficção e resultando num grupo curioso e rico em referências da literatura clássica do próprio séc. XIX.
Seguindo as ordens de Sr. M o grupo excêntrico recebe missões secretas e um tanto bizarras, a serviço do Império Britânico a missão é defender a Inglaterra dos ataques mais incomuns que você puder imaginar e os métodos que eles usam pra isso são tão ou mais incomuns que os ataques em si.
A liga Extraordinária é formada por Mina Murray/Harker (Drácula de Bram Stocker) Capitão Nemo (20.000 léguas submarinas), Allan Quartermain (As Minas do Rei Salomão), Dr. Jekyll (O médico e o Monstro-Dr. Jekyll & Mr. Hyde), Hawley Griffin (O Homem Invisível). Outros personagens famosos que surgem ao longo da série são o Professor Moriarty, arquiinimigo de ninguém menos que Sherlock Holmes, Dr. Moreau entre outros.
Não é extritamente necessário que se tenha lido as obras que Moore usa como referência, que inclui além dos clássicos citados acima A Guerra dos Mundos e A Ilha do Dr. Moreau de H. G. Wells e etc. Mas sem dúvida grande parte da experiência de leitura vem dessas referências. As sarcasticas brincadeiras feitas com referências, caracteristicas de autores como Moore e Neil Gaiman, dão o tom a saga que aqui no Brasil é composta de 3 vol. todos publicados pela Ed. Devir Livraria.
A Liga Extraordinária. vol.I (EUA-1999)(BRA-2003) RESENHA
A Liga Extraordinária. vol.II (EUA-1999)(BRA-2003) RESENHA
A Liga Extraordinária. Black Dossier (EUA-2007) Essa edição que contem uma coleção de documentos e dossiês relacionados as missões da Liga levam aos acontecimentos da publicação seguinte que se passa 12 anos após o vol.II. Não foi publicada no Brasil devido a problemas de direitos autorais.Mas se tiver a oportunidade de ler mesmo em inglês…LEIA!
A Liga Extraordinária. Século:1910 (EUA-1999)(BRA-2003) RESENHA
Assim como os complementos nos fins dos volumes I e II, eles guardam informações que não necessárias a trama principal mas valem a pena!
 |
|
Morlock Night-1979
|
Sem dúvida aqui temos maior dificuldade em encontrar livros do gênero, por muito tempo eles não foram traduzidos e hoje os que foram estão esgotados!
Da primeira geração americana de escritores Steamers onde temos James Blaylock (Homunculus 1986), K.W. Jeter (Morlock Night 1979/ Infernal Devices 1987), temos Tim Powers com Os portais de Anubis (EUA-1979)(BRA-1995) (Skoob). Um dos poucos livros que foi traduzido e publicado aqui no Brasil.
A capa da 1ª edição americana dizia: ‘De volta no tempo para resolver antigos mistérios… E criar alguns novos.’
O primeiro mistério é saber qual o resultado duma mistura de viagem no tempo, mitologia egípcia e um Lord Byron que sofreu uma lavagem cerebral, Ah! E um lobisomem…
Felizmente esse cenário vem mudando nos últimos anos.
Como tudo vem em ondas, um Tsunami Steampunk vem se formando nos EUA já há algum tempo, o movimento vem crescendo de novo cada vez mais, e se aproxima do Brasil, aumentando o numero de publicações que chegam aqui.
 |
|
The Clockwork Angel-2010
|
Cassandra Clare que todos conhecem pela série ‘Os Instrumentos Mortais’ está lançando agora nos EUA a série ‘Infernal Devices’.
O primeiro livro ‘The Clockwork Angel’ (2010) já tem publicação garantida por aqui pela Galera Record mas sem uma data definida; enquanto as sequências ‘The Clockwork Prince’ e ‘The Clockwork Princess’ (RESENHA por Sabrina Inserra) tem previsão de lançamento para Novembro de 2011 e Novembro de 2012 respectivamente.
Utilizando o mesmo universo de ‘Os Instrumentos Mortais’ a autora faz uma incursão a Era Vitoriana inserindo sua série em um novo gênero, essa pré-sequência não é apenas uma Ficção-Científica Steampunk, dessa vez a fantasia tem sua cota. Sem dúvida a série promete!
 |
|
Infernal Devices-1987
|
 |
| Infernal Devices-2005 |
The Infernal Devices que originalmente é o título do livro de J. K. Jeter, não só é o nome da série de C. Clare, mas também o título do terceiro livro da série Mortal Engines de Philip Reeve recém lançada pela Ed. Novo Século.
A importância de J. K. Jeter ao movimento é inegável já que é uma das referencias para autores como C. Clare e P. Reeve, pessoalmente vejo essa referência como uma homenagem ao autor que cunhou o termo Steampunk.
Mortal Engines de Philip Reeve. EUA(2001)(2011)
 |
|
Mortal Engines
(Novo Século) 2011
|
Também conhecida como ‘A s Crônicas das cidades famintas’ a série de Philip Reeve que acaba de ser lançada pela Novo Século é formada por 4 vol. Sendo Mortal Engines (Hot site/Skoob/RESENHA por Romeu Martins) o primeiro livro.
Num cenário pós-apocalíptico as cidades se tornam moveis (Cidades-tração) afim de procurar no mundo devastado recursos naturais para subsistência. ‘cidades começaram a caçar e devorar outras cidades em busca de peças, metais e material humano.’*
A mistura de elementos é sensacional, o autor nos apresenta literalmente a uma corrida entre potências e onde as pequenas cidades são realmente engolidas por elas. A série se encerrou em 2006 após a publicação de Predator’s Gold(2003), Infernal Devices (2005) e A Darkling Plain(2006).
Mas Além das traduções que agora tem maior espaço no mercado, autores brasileiros têm produzido muita coisa no gênero.
O esquadrão brasileiro conta com diversos autores entre eles Romeu Martins (que comentou no post passado!) Antonio Luiz M. C., ClaudioVilla e Fábio Fernandes e claro com o apoio de editoras como a Draco, Estronho, Tarja Editorial.
Steampunk: Histórias de um passado extraordinário foi a primeira obra brasileira do gênero (2009) organizada por Gianpaolo Celli, trás as mais diversas temáticas, como Sociedades Secretas, Santos Dummont, faroeste, tudo é claro com muito vapor, dirigíveis, ciência e etc. A cada conto uma história inesperada e surpreendente.
Tenho a impressão de que muita gente ainda resiste em comprar antologias, pois eu acho que isso é uma grande besteira e dou até preferência a elas quando vou comprar alguma coisa de um gênero que eu desconheço. No caso do Steampunk a vantagem dela é a seguinte.
Dentro os mais diferentes autores, temos consequentemente diferentes abordagens e pontos de vista do mesmo gênero. Lendo um romance logo de cara você corre o risco de não gostar e ligar aquele determinado título a todo o movimento sem ter dado chance a outras perspectivas. Nesse caso essas compilações são o melhor caminho descubra o que mais te agrada e então busque títulos dessa vertente.
No Steampunk encontramos desde livros com elementos de fantasia, a Ficção-Científica tão teorizada (Aparelhos e máquina descritos com minúcia) que entedia algumas pessoas. Tem pra todo gosto, encontre o seu. Porque eu já gosto dos livros mais descritivos, científicos e teorizados possíveis! (Coisas de Nerd!)
Baronato de Shoah: A Canção do Silêncio (Hot site) de José Roberto Vieira lançado esse ano é ‘Considerado o primeiro romance nacional pensado na estética steampunk, e (…) une seres mitológicos como medusas e titãs a grandes inventos tecnológicos.’* (Skoob/RESENHA por Ana Carolina Silveira) O livro é uma marco no Steampunk nacional e trás um mundo próprio que se insere na temática e não uma história alternativa a nossa.
Não deixem de conferir o que o autor (José R. Vieira) escreveu no Site da Loja Steampunk de SP sobre literatura Steampunk. (AQUI)
Enquanto isso esperamos por publicações como Boneshaker de Cherie Priest (Série Clockwork Century) (Quando um cientista maluco acaba liberando um gás mortal em Seatlle que transforma as pessoas em Zumbis e desaparece) pela Editora Underworld (Skoob) já comentei sobre esse livro aqui e comentei sobre o primeiro capítulo liberado pela editora enquanto o livro é traduzido por Fabio Fernandes. (Se não viu o post, veja AQUI)
Sinopse:
Os calendários são simplesmente ignorados por aqueles que combatem pelo bem ou pelo mal, numa guerra sem vencedores. As grandes batalhas distribuem louros entre os dois lados, em uma dança milimétrica da balança. Mas esse equilíbrio esteve ameaçado em uma época em que a elegância do vestuário das senhoras e cavalheiros convivia, não sem uma ponta de contradição, com o peso e a estranheza dos acessórios e equipamentos utilizados por uma civilização que começava a descobrir as maravilhas da tecnologia.
Anjos e demônios escolheram aquele tempo, utilizando-se de todos os artifícios armamentos e equipamentos possíveis, e encenaram algumas das mais terríveis batalhas de que a humanidade já presenciou. De conflitos e duelos isolados a confrontos sangrentos entre os exércitos das trevas e da luz.
E ainda por vir também pela Estronho Steampink, organizado pela Tatiana Ruiz, uma antologia Steampunk feita por mulheres que está em processo de produção.
Muitos títulos ficaram de fora, mas isso é inevitável. Alguns como The Difference Engine (1990) de William Gibson & Bruce Sterling; Steampunk Trilogy de Paul Di Filippo formada pelos livros Victoria, Hottentots e Walt and Emily; Os vários títulos de Ann VanderMeer & Jeff VanderMeer (The VanderMeers) como The Steampunk Bible (que foi pensada para ser uma referência do gênero e contêm material brasileiro, confiram AQUI)e as antologias Steampunk e Steampunk Reloaded.
Ou os lançamentos americanos que prometem…
The Girl in the Steel Corset de Kady Cross lançado em Maio desse ano (2011) nos EUA. (RESENHA da Mari do Psychobooks)
Leviathan de Scott Westerfeld, (se passa durante a Primeira Guerra Mundial e explora em parte a temática do desenvolvimento das armas que ocorre devido a guerra) que é o primeiro da série de 3 volumes lançado em 2009, seguido de Behemoth (2010) e o ultimo volume que sai em Setembro desse ano (2011) Goliath.
Whitechapel Gods de S. M. Peters (2008) (inteligência artificial a vapor no séc. XIX!?) publicada (RESENHA por Giseli Ramos)
Bom é isso, acho que o meu objetivo de juntar algumas informações sobre o Steampunk para os interessados e curiosos sobre o assunto foi alcançado. (ou não, não sei, vocês me digam…)
Eu já disse, não tenho propriedade nenhuma pra falar do assunto a não ser é claro, a de leitora curiosa, que fuça por ai.
Essa não é A lista é UMA lista, mas é um caminho pra quem quer sair por ai explorando esse universo a vapor como eu, que ainda estou explorando e desconfio que estarei por um bom tempo!
Espero que vocês tenham gostado.
Beijos Folks e até a próxima!
Links:
Revistas Steampunk:
Dicas de Leitura do Romeu Martins: (I) e (II)